quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Vultos na multidão

Rostos, centenas, milhares, milhões de rostos passam por mim todos os dias, alegres, apressados, cansados, por vezes irados com algo. Não falam, não cumprimentam, contornam-se uns aos outros, de forma tão rítima como num bailado. Não se olham, não se tocam, simplesmente caminham, cada um no seu próprio mundo.

E neste mar de gente, que todos os dias passam por mim, vejo-me a mim próprio na minha solidão, distante de tudo, sem comunicação com o mundo exterior, sem coragem para abordar quem quer que seja, parado, simplesmente parado.

Este meu mundo é um lugar estranho, consigo estar completamente sozinho, rodeado de milhares de pessoas. A isso costumo chamar de "solidão acompanhada", partilharia isso com alguém se pudesse.

Nesta estação de comboios, todos os dias, arrepio-me só de pensar em falar com alguém, dirigir a palavra, puxar um dedo de conversa, perguntar as horas, talvéz um dia consiga. Nesta estação de comboios, onde estou eternamente preso, sozinho no meu mundo, a olhar para aqueles que não conseguem, ou não me querem ver, espero ter um dia a coragem que não tive em vida.

A morte é um lugar estranho...

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