Cruzamos com muitas pessoas durante o nosso dia a dia, comunicamos com outros tantos a milhares de quilómetros de distância através da Internet, vemos uma infinidade de rostos todos os dias na televisão, mas muitas vezes não conhecemos a realidade de quem mora mesmo ao nosso lado.
Certa noite, ao voltar do trabalho ouvi um ruído estranho, parecido com garras a arranhar a porta da cave da casa mesmo ao lado da minha, “nem sequer sabia que a vizinha tinha um cão!”, lembro eu de ter pensado, como se estivesse a falar comigo mesmo. Mal entrei em casa o barulho parou.
Na noite seguinte voltou a acontecer o mesmo, “raio do cão, qualquer dia leva uma paulada...”, pensei eu nesta noite, nós normalmente temos pouca paciência para com os outros, mas a verdade é que logo ao entrar em casa, o barulho novamente parou.
E assim continuou durante duas semanas. Parecia que o bicho queria atenção, e sempre que alguém passava em frente à casa, lá começava ele a arranhar a porta da cave.
No Sábado seguinte a vizinhança acordou com um alvoroço fora do comum para aquela pacata zona: polícia, bombeiros, ambulâncias, uma azafama tal que parecia ter sido tirada de um filme de acção americano. Todos os vizinhos estavam na rua, como se tivessem que responder a um cartão de ponto, eu não poderia faltar, afinal de contas a confusão era mesmo ao lado da minha casa. Corri para a janela mais próxima do acontecimento, de forma a ter uma visão única sobre a situação.
Ficamos todos aterrorizados quando foi retirado o corpo, já em decomposição, da dona da casa, uma senhora idosa que, segundo dito pela polícia, morrera sozinha na sua cave já há duas semanas, em resultado de uma queda nas escadas. A primeira vez que o ruído foi ouvido, era ela a pedir ajuda, das vezes seguintes, era o seu espírito a pedir paz.
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